Cientistas identificam mutação em genes relacionados a câncer

da Efe, em Washington

Cientistas identificaram uma família de genes que mudam de lugar, se fundem a outros e funcionam como uma chave de acesso que causa o câncer de próstata, informou ontem (1º) a Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Por conta própria, os genes regulam o crescimento de células. Quando se fundem, no entanto, iniciam uma multiplicação descontrolada das mesmas, o que leva ao câncer, explicou o estudo, publicado na revista britânica “Nature”.

A equipe de pesquisadores do Centro de Câncer da Universidade de Michigan, liderada por Arul Chinnaiyan, descobriu que algumas porções de dois cromossomos podem trocar de lugar, e isso faz com que os dois genes se fundam.

Os cientistas comprovaram estas fusões de genes em ratos e em cultivos de células e demonstraram que causam o desenvolvimento do câncer de próstata. Mas, segundo eles, não é apenas um conjunto de genes que se fundem.

O estudo descobriu que quaisquer genes, entre vários em uma família, pode se misturar e se fundir.

“Cada uma destas fusões de genes representa diferentes subtipos moleculares”, acrescentou Chinnaiyan.

“Isso nos diz que não há apenas um tipo de câncer de próstata e que é uma doença complexa que precisa de um tratamento diferente em cada paciente”, afirmou.

02/08/200709h14 Folha Online

Publicado em: on Agosto 2, 2007 at 12:51 pm Deixe um comentário

Rússia avança na disputa por pólo Norte

da Folha de S.Paulo

Uma expedição científica da Rússia no pólo Norte se prepara para uma missão histórica e carregada de significado político: nas próximas horas um submarino deve fincar uma bandeira do país no fundo do mar Ártico, num gesto para fortalecer a reivindicação de Moscou de que a área, potencialmente rica em petróleo, lhe pertence.

A equipe russa já chegou à latitude 86, perto do pólo geográfico, onde abriu um buraco na superfície gelada. Se não houver mudança drástica nas condições climáticas, por ele devem entrar dois minisubmarinos tripulados que alcançarão o fundo do mar a cerca de 4,3 km de profundidade –um recorde no local. Além de colher material para pesquisa científica, vão liberar uma estrutura de metal com a bandeira russa.

Com os elementos recolhidos, a expedição espera poder provar que a cordilheira submarina Lomonosov, embaixo do pólo, faz parte da plataforma continental da Sibéria. Moscou afirma que as evidências serão suficientes para que a ONU reconheça que a área, de soberania internacional compartilhada, é da Rússia.

A equipe de pesquisadores é chefiada por Artur Chilingarov, famoso no país por suas explorações no Ártico e agora também vice-presidente do Parlamento. “Vamos provar que o pólo Norte é uma extensão da plataforma continental russa”, disse Chilingarov. “Vamos ser os primeiros a fincar uma bandeira lá. O Ártico é nosso.”

A bonança provocada pela alta do petróleo tem permitido que Moscou injete dinheiro nas pesquisas. Em maio, o presidente Vladimir Putin prometeu defender “os interesses estratégicos, econômicos, científicos e de defesa no Ártico”.

Em junho, a imprensa russa noticiou que uma equipe de pesquisa havia retornado do pólo com a “sensacional notícia” de que Lomonosov estava, sim, ligada ao território russo. Os jornais publicaram mapas com cerca de 45% da região –uma área com os tamanhos da França, Rússia e Itália combinados– com as cores do país.

Corrida

A corrida ao pólo Norte não é apenas russa. Os cinco países do entorno –Rússia, Dinamarca (a quem pertence a Groenlândia), Canadá, EUA e Noruega– já pleitearam a região. A ONU negou todos os pedidos. Com os novos achados, porém, Moscou deve reapresentar a reivindicação em 2009.

Canadá e Dinamarca, por sua vez, têm o mesmo argumento russo: a cordilheira Lomonosov é extensão de seus territórios. Os canadenses pretendem ainda criar um fundo para mapear o leito do mar e gastar US$ 7 bilhões para construir e operar oito navios de patrulha para defender “sua soberania”.

Ontem, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Leslie Phillips, desejou sorte aos russos na expedição, mas disse que o país “continua cético” quanto às conclusões de Moscou. “Não tivemos oportunidade de analisar o material recentemente recolhido [na expedição de junho]“, disse ela.

Segundo o jornal “Financial Times”, a viagem submarina russa também servirá para testar tecnologia para futura exploração de petróleo em águas profundas. Acredita-se que 25% das reservas não conhecidas estejam lá.

Analistas dizem que o custo da extrair óleo do Ártico poderia continuar proibitivo por décadas. Mas também afirmam que a exploração em alto mar é o futuro do setor, e todas as grandes petroleiras, entre elas a Petrobras, pesquisam o tema. No caso do Ártico, duas gigantes já se posicionaram: a British Petroleum se associou à estatal russa Rosneft para, no futuro, poder explorar a área.

A corrida ao Ártico, o primeiro a ser afetado pelo aquecimento global, preocupa os ambientalistas, que dizem que a exploração prejudicará o ecossistema e atrapalhará seu papel como zona de controle dos efeitos das mudanças climáticas.

02/08/200708h41 Folha Online

Publicado em: on at 12:50 pm Deixe um comentário

Com ajuda espacial, missão estabelecerá altura exata do Everest

da Efe, em Paris

Uma missão geodésica tentará unificar, com a ajuda da observação espacial, um modelo para estabelecer a altura exata dos picos do Himalaia, entre eles o Everest. Nos últimos anos, o número gerou divergências entre a comunidade científica.

Narendra Shrestha/Efe
Missão terá ajuda espacial para estabelecer altura exata de picos como o Everest
Missão terá ajuda espacial para estabelecer altura exata de picos como o Everest

A missão é composta por especialistas da Autoridade Norueguesa de Cartografia e Cadastros e do Escritório Estatal da China para a Supervisão e a Cartografia. A Agência Espacial Européia (ESA) apóia o projeto.

A ESA explicou hoje em comunicado que pretende aplicar um dispositivo “extremamente preciso e único” sobre os campos gravitacionais da Terra.

Tal modelo terá utilidade não somente para a geodesia mas também fornecerá novas perspectivas sobre a circulação das correntes dos oceanos, a mudança climática, a elevação dos níveis do mar, os terremotos e o vulcanismo.

A observação espacial deve servir para corrigir os dados oferecidos pelo conhecimento da mudança gravitacional terrestre, que às vezes pode induzir a erros porque os materiais não estão distribuídos de forma uniforme no planeta.

Uma mostra das divergências científicas é a medida da altura do Everest, que oficialmente era de 8.550 metros em 1999. O organismo estatal chinês de cartografia, no entanto, fixou o número em 8.844,43 metros.

“Medir os picos de nosso planeta usando uma referência padronizada nos ajudará a entender melhor a Terra”, explicou o diretor de pesquisa da Autoridade Norueguesa de Cartografia e Cadastros, Bente Lilja.

“Outro benefício será uma melhora em nossas capacidades para prever o comportamento da Terra e fornecer a informação necessária para ajudar a prevenir desastres e eventos economicamente prejudiciais”, acrescentou.

02/08/200708h12 Folha Online

Publicado em: on at 12:49 pm Deixe um comentário

Expedicionários russos no Ártico planejam conferência em tempo real

da Folha Online

A expedição científica russa Ártico-2007 chegou hoje ao Pólo Norte a bordo do submarino-laboratório Acadêmico Fiódorov e do quebra-gelos nuclear Rossia para realizar pela primeira vez pesquisas submarinas nesta região do planeta.

A expedição, que está na latitude 90 graus, iniciou os preparativos para as primeiras imersões dos batiscafos Mir-1 e Mir-2 ao fundo do Oceano Glacial Ártico, previstas para esta noite ou para a manhã de quinta-feira (2), segundo a agência “Itar-Tass”.

Durante as imersões, os batiscafos descerão a profundidades de mais de 4 mil metros, onde recolherão amostras do leito e da água e depositarão no fundo marinho uma cápsula de titânio com a bandeira russa e uma mensagem comemorativa da expedição.

Os organizadores anunciaram sua intenção de realizar uma conferência por telefone entre os tripulantes de um dos batiscafos e os cosmonautas que estão na Estação Espacial Internacional.

Será a primeira comunicação em tempo real entre tripulações de expedicionários a quatro mil metros da superfície do mar e cosmonautas no espaço a 350 km de altura.

Além das pesquisas científicas, a Ártico-2007 buscará provas geológicas para demonstrar que a região do Pólo Norte pertence à Rússia.

O objetivo é comprovar que a cordilheira submarina Lomonosov, que se eleva 3.700 metros sobre o fundo do mar e passa do Pólo Norte, é continuação da plataforma continental da Sibéria e do continente euro-asiático.

Com este argumento, a Rússia reivindica desde 2001 os direitos a uma área submarina de 1,2 milhão de quilômetros quadrados rica em petróleo, gás e minerais, incluindo diamantes.

01/08/200715h06 Folha Online

Publicado em: on at 12:48 pm Deixe um comentário

Cientistas brasileiros criam tecido antibacteriano

EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

A receita para a produção de um tecido antibacteriano acaba de sair de laboratórios brasileiros. Os ingredientes são uma cultura de fungo, um sal de prata e um tecido de algodão. Manipulando os três produtos, será possível criar roupas eficazes no combate à infecção hospitalar, diz um grupo de cientistas.

“Existe mesmo um grande potencial de aplicação desse tecido para a confecção de uniformes profissionais para ambiente hospitalar a partir desse trabalho”, disse à Folha Oswaldo Alves, químico da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) que participou da invenção. Além dele, participaram do desenvolvimento do tecido antibacteriano Nelson Durán e Priscyla Marcato –dupla também da Unicamp– e Gabriel Souza e Elisa Esposito, ambos da UMC (Universidade de Mogi das Cruzes).

Os cientistas já sabiam que a prata pode ser usada com sucesso contra bactérias que costumam freqüentar os hospitais. A novidade do novo método é a forma com que as partículas de prata foram obtidas.

O grupo brasileiro partiu para a via biotecnológica. Ou seja, eles usaram um tipo de fungo, o Fusarium oxysporum, para processar o nitrato de prata adicionado à cultura microbiológica.

“O fungo tem uma enzima que reduz [desoxida] o íon prata em prata metálica”, explica Alves. A tradução dessa linguagem química é que o fungo usado consegue transformar a prata presente na cultura e produzir nanopartículas desse metal, da ordem de 1,6 nanômetros (milionésimos de milímetros) de tamanho.

Depois disso, o tecido de algodão acabou impregnado pelas nanopartículas e colocado em teste contra a bactéria Staphylococcus aureus. O crescimento desse microrganismo não ocorreu no tecido preparado com a prata.

“Esse caminho biotecnológico facilitou não apenas o processo de impregnação das nanopartículas no tecido, como também mostrou uma significativa ação bactericida frente o microrganismo estudado”, disse o pesquisador da Unicamp.

No exterior, explica Alves, as pesquisas no campo dos tecidos funcionais já apresentaram vários produtos, alguns deles disponíveis no âmbito comercial. Mas a maior parte dos grupos de cientistas estrangeiros optou por obter as nanopartículas de prata pelos caminhos essencialmente químicos.

“Nos Estados Unidos, por exemplo, já existem meias bactericidas. Elas são destinadas a pessoas com problemas de feridas nos pés, ocasionadas por diferentes patologias.”

De acordo com Alves, uniformes esportivos também já contêm esses tecidos. “Para evitar o cheiro desagradável proveniente do suor”, disse.

Patente

No caso do desenvolvimento tecnológico dos cientistas brasileiros, o pedido de patente também já está tramitando. O processo está sendo conduzido pela Agência de Inovação da Unicamp.

O estudo brasileiro teve a preocupação de isolar os dejetos oriundos da produção das nanopartículas de prata. A questão do lixo nanotecnológico está sendo cada vez mais discutida em várias partes do mundo.

Os rejeitos foram tratados com a bactéria Chromobacterium violaceum. Também por essa via biológica, os pesquisadores conseguiram fazer o caminho praticamente inverso.

Ou seja, após algumas horas de contato entre o microorganismo e a solução que seria desperdiçada em condições normais, as nanopartículas de prata acabaram sendo solubilizadas pelas bactérias.

Elas não foram parar diretamente no ambiente.

“Acreditamos que essa prática [a de apresentar como os rejeitos podem ser remediados] é altamente recomendável. Isso não é comum. Pelos comentários que recebemos, isso contribuiu de forma significativa para a aceitação da publicação”, explica Alves.

O artigo científico que descreve o processo de produção das nanopartículas de prata, a impregnação do tecido hospitalar e o tratamento dado aos dejetos nanotecnológicos foi publicado na edição mais recente do “Journal of Biomedical Nanotechnology”.

01/08/200710h18 Folha Online

Publicado em: on at 12:47 pm Deixe um comentário