Principais cidades australianas buscam novas fontes de água

As principais cidades da Austrália precisam encontrar novas fontes de água na próxima década, segundo um novo estudo publicado hoje pela imprensa australiana.

O custo do uso doméstico de água também terá que aumentar para financiar novas infra-estruturas, afirma o relatório da Associação de Serviços de Água da Austrália (WSAA, sigla em inglês), citado pelo jornal “The Australian”. O texto completo será divulgado nesta quarta-feira (15).

Fatores como a mudança climática, que provocou uma forte redução das chuvas nos últimos dez anos, e o aumento da população obrigarão Darwin, capital do Território do Norte, numa zona tropical, a encontrar novos recursos aqüíferos, optando pela dessalinização ou pela reciclagem.

Em um ano, o nível dos açudes do continente mais seco do mundo depois da Antártida baixou 80% em comparação com a média a longo prazo, segundo o estudo.

De julho de 2006 a junho de 2007, as principais cidades australianas tiveram de destinar mais de US$ 633 milhões a infra-estruturas para fornecimento de água. O total chegará a US$ 1,18 bilhão em 2007/2008 e mais de US$ 1,9 bilhão em 2009, segundo as previsões da WSAA.

Os governos de Sydney, Melbourne e Gold Coast planejam uma usina de dessalinização da água do mar, que já está sendo construída em Perth. O sudeste de Queensland vai dispor de um enorme encanamento que bombeará água reciclada.

14/08/200711h16 Folha Online

Publicado em: on Agosto 14, 2007 at 2:42 pm Deixe um comentário

Vírus do Nilo sofre mutação na América e se mostra mais perigoso

da France Presse, em Paris

O vírus do Nilo Ocidental tem sofrido mutações ao chegar ao continente americano, tornando-se mais perigoso e preparado para infestar novos territórios. A informação foi divulgada em um estudo publicado pela revista “Nature”.

Pesquisadores americanos afirmam na publicação ter identificado a mutação genética que faz com que a doença seja mais potente nos pássaros selvagens utilizados pelo vírus para se deslocar –e, provavelmente, também entre os humanos.

O estudo, de autoria de Aaron Brault, da Universidade da Califórnia, mostra que uma mutação similar já se verificou nas últimas epidemias do vírus, provocando diversas mortes na Europa e em Israel, entre outras localidades.

A taxa de mortalidade entre o corvo americano, particularmente sensível à doença, é de 94% ao contato com o vírus modificado, enquanto somente 31% morrem com o vírus tradicional.

O vírus do Nilo Ocidental, que leva o nome da província ugandesa onde foi detectado pela primeira vez em 1937, se desloca por meio das migrações de algumas aves. Homens e cavalos, objetivos potenciais do vírus, se contaminam pelos mosquitos infectados.

Na maioria dos casos, a infecção é benigna para o homem na Europa, mas nos Estados Unidos já causou a morte de 177 pessoas e infectou 4.200 neste ano.

A doença se manifesta por sintomas de encefalite, tremores e febre alta –que podem chegar, nos casos mais graves, a um estado de coma e provocar a morte.

No ano de 2006 já houve vários casos tanto ao norte como ao sul do continente americano. As autoridades sanitárias argentinas revelaram a existência de quatro casos, um na província de Córdoba e outros três em Chaco, porém sem mortes. Na cidade mexicana El Paso foram registrados 14 casos.

O número de infectados nos Estados Unidos quadruplicou neste ano com relação a 2006. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, anunciou na última sexta-feira (10) o desbloqueio de US$ 900 mil para combater a propagação da doença no Estado.

14/08/200711h10 Folha Online

Publicado em: on at 2:41 pm Deixe um comentário

Brasil começa a testar terapia com DNA em pacientes cardíacos

EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

O primeiro teste clínico a ser feito no Brasil com um tipo de terapia com DNA deve começar dentro de 30 dias. Restam apenas ajustes finais para que dez pacientes de Porto Alegre (RS) recebam injeções de material genético novo. Outros dez farão parte do chamado grupo controle –eles receberão apenas o tratamento convencional, como forma de comparação.

A divisão do grupo será feita por sorteio. O objetivo do estudo é fazer com que ocorra crescimento de tecido de vasos sangüíneos no coração.

“A aplicação principal desse tipo de terapia celular, no futuro, será em pessoas que não podem passar pela cirurgia da ponte de safena tradicional”, disse à Folha o cientista Ricardo Kalil, do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul. “Mas ela não é uma opção a cirurgia. É apenas para quem não pode ser submetido a ela.”

Kalil é o responsável pelo projeto, que conta com colaborações de outros grupos científicos. Segundo o cientista, todos os pacientes serão acompanhados por um ano, mas os primeiros resultados já poderão ser detectados em um mês.

Do ponto de vista do paciente, o êxito da terapia significa que ele terá um melhor desempenho do seu ventrículo esquerdo. Isso, segundo os cientistas, vai resultar em uma maior tolerância ao exercício físico, melhor qualidade de vida, diminuição das internações hospitalares e até em uma redução do custo do tratamento.

DNA injetável

Já testada em várias partes do mundo, a terapia com DNA –ou “gênica” como é chamada entre os pesquisadores”– consiste em injetar uma solução com um material genético reproduzido em laboratório.

No caso do estudo gaúcho, o pedaço de gene injetado, quando chegar ao coração, vai estimular o organismo a produzir uma proteína responsável pelo crescimento de tecido novo.

Esse DNA é transportado para dentro do corpo humano por um “veículo” chamado de plasmídeo (moléculas circulares duplas de DNA, que normalmente existem em bactérias).

“Esse vetor específico foi desenvolvido também no Brasil pela empresa Excellion, da cidade de Petrópolis (RJ)”, disse Kalil. “Estamos aguardando apenas a chegada deles, o que deve ocorrer nas próximas semanas, para começar os testes clínicos com os pacientes.”

De acordo com o médico responsável pelo estudo, as expectativas de sucesso são boas, mas isso não significa que o tratamento vai estar disponível para todos os pacientes depois de um ano. Novas fases de testes ainda serão necessárias.

Para Kalil, uma das vantagens do método montado em seu laboratório, é que o vetor usado para transportar o DNA até o alvo biológico não usa material originário de vírus, o que aumenta a segurança do procedimento. Apesar disso, “injetar plasmídeos “desnudos” pode fazer que com tenhamos alguma perda de eficiência”, diz.

Para os pacientes que vão participar desse primeiro teste clínico, os riscos estão relacionados ao pequeno procedimento cirúrgico –para dar a injeção diretamente no tórax– e à entrada da solução com DNA propriamente dito no organismo.

Enquanto no primeiro caso pode ocorrer alergias ou outros tipos de complicações, no segundo não existe nenhum problema já relatado em testes semelhantes feitos no exterior.

Dentro do contexto do tratamento com DNA, os resultados que serão obtidos em Porto Alegre poderão ajudar bastante o caminho desse tipo de estudo. Após um entusiasmo inicial com a terapia gênica há, alguns anos, algumas mortes, sobretudo por causa do uso de vírus associados, inspiraram cautela.

14/08/200710h07 Folha Online

Publicado em: on at 2:41 pm Deixe um comentário

Cientistas desenvolvem nanobateria semelhante a folha de papel

da Efe, em Washington

Cientistas do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, desenvolveram um dispositivo para armazenar energia que facilmente poderia ser confundido com uma simples folha de papel negro.

A nanobateria é ultraleve, fina, completamente flexível e poderá se adequar ao projeto mais complexo, a equipamentos médicos e até a veículos de transporte, disseram os cientistas em um relatório publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Além disso, poderá funcionar a temperaturas de até 150º ou 73º negativos.

Seu formato parecido com uma folha de papel não é acidente. Mais de 90% é celulose, à qual se agregaram nanotubos de carbono que atuam como eletrodos, permitindo a condução elétrica, elemento que dá ao dispositivo a cor negra.

A bateria pode ser enrolada, dobrada ou cortada em diferentes formas sem que perca sua capacidade de gerar energia.

Também pode ser montada uma bateria sobre outra, como uma pilha de papéis, para aumentar sua geração energética.

“Essencialmente, é uma folha de papel normal, mas fabricada com muita inteligência”, assinalou Robert Linhardt, professor de Biocatálise e Engenharia Metabólica do Instituto e um dos autores do estudo.

14/08/200709h05 Folha Online

Publicado em: on at 2:40 pm Deixe um comentário

Lagartas tropicais têm cardápio restrito, mostra análise

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

Uma equipe de treze cientistas coordenada por Lee Dyer, da Universidade Tulane, de Nova Orleans, sul dos EUA, fez uma análise detalhada da dieta de larvas de insetos da ordem Lepidóptera (mariposas e borboletas) em oito pontos do continente americano.

David Wagner/Divulgação
Lagartas tropicais têm cardápio restrito e habitam zonas temperadas, segundo estudo
Lagartas tropicais têm cardápio restrito e habitam zonas temperadas, segundo estudo

As coletas feitas em lugares de clima temperado, como os EUA e o Canadá, ou em áreas tropicais (Panamá, Costa Rica, Equador e Brasil) trouxeram um dado novo sobre o comportamento desses insetos.

As dietas das lagartas tropicais são muito mais especializadas do que aquelas das suas “primas” de florestas temperadas, mostrou o estudo.

A questão pode ter a ver com uma “guerra química” mais intensa nas zonas próximas da linha do Equador. Nos trópicos, como a interação entre plantas e insetos é maior, por uma questão de quantidade simplesmente, as plantas precisam ser mais agressivas na síntese de substâncias que as tornem sem paladar para os animais. É o jogo da evolução em curso.

O resultado dessa luta é que os insetos acabam sendo forçados a reduzir bastante o seu cardápio diário, para não sumirem antes da hora.

Mesmo com mais um elo ecológico fechado, o trabalho de Dyer e equipe – a brasileira Helena de Morais, da Universidade de Brasília, especialista em cerrado, é uma das pessoas do grupo – ainda não conseguiu um avanço significativo no campo quantitativo.

Isso, apesar de os cientistas terem trabalhado com 75.000 amostras de taturanas e lagartas (larvas de insetos como borboletas e mariposas).

Apesar de o estudo ter lançado luzes sobre a distribuição de insetos, especialmente nos trópicos, onde são mais abundantes, ele não ajudou a melhorar as estimativas de quantas espécies desse grupo existem.

“Estamos muito longe de explicar a distribuição global da biodiversidade”, afirma o pesquisador Nigel Stork, da Universidade de Melbourne, Austrália, comentando o trabalho, editado na ultima edição da revista científica “Nature”.

Mesmo os besouros sendo seres muito comuns, as explicações sobre biodiversidade nos continentes se baseiam só neles, nas plantas e nos grandes mamíferos, diz Stork.

Já receberam nomes científicos 850.000 espécies de insetos. Faltaria ainda coletar, nomear e descrever algo entre 4,25 milhões e 17 milhões de outros destes animais, segundo Stork. Um número ainda mais assombroso foi estimado pelo pesquisador Terry Erwin em artigo de 1982: só nos trópicos existiriam em torno de 30 milhões de espécies de insetos.

Já o estudo feito por dezesseis pesquisadores da equipe de Vojtech Novotny, da Universidade do Sul da Boêmia, República Checa, focalizou a floresta tropical da Nova Guiné.

Sentido oposto

Foram estudadas aproximadamente 500 espécies de insetos comedores de folhagem (lepidópteros), madeira (besouros) e frutas (moscas).

Os oito pontos de amostragem cobrem uma área de 75.000 km quadrados.

Ao contrário da equipe de Dyer, Novotny e colegas, que também publicaram na “Nature”, mostraram que havia um pequeno índice de mudança na composição das espécies de insetos ao longo da floresta.

Essa mudança ou taxa de substituição na composição de espécies de uma região para outra é conhecida pelos biólogos como “diversidade beta”.

O grupo de Novotny estima que florestas tropicais como a da Amazônia devem ter “diversidade beta” baixa de insetos, pois apresentam baixa diversidade de tipos de vegetação.

13/08/200710h03 Folha Online

Publicado em: on at 2:39 pm Deixe um comentário