Proteína de 450 milhões de anos ajuda a revelar etapas da evolução

da France Presse, em Washington

Cientistas da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, recriaram pela primeira vez uma proteína de 450 milhões de anos, com seus 2.000 átomos –o que permite ajudar a compreender certas etapas da sua evolução até a versão moderna no organismo humano.

“Nunca havíamos conseguido chegar tão longe no tempo [...] e ver tão claramente o desenrolar dos mecanismos pelos quais a evolução conforma uma máquina molecular em escala atômica”, afirma Joe Thornton, biólogo e principal autor da pesquisa, publicada na revista “Science”.

“Podemos ver exatamente como a evolução agiu sobre a estrutura antiga da proteína e produziu uma nova função crucial para o organismo humano atual”, acrescentou.

Os cientistas concentraram-se na proteína chamada receptor glucocorticóide, que desempenha um papel chave na resposta do organismo ao estresse humano utilizando o cortisol.

Foram necessárias apenas sete mutações durante 450 milhões de anos para desenvolver essa função biológica essencial, apontam os pesquisadores. Eles puderam deduzir ainda a ordem em que essas mudanças aconteceram e por que certas mutações teriam provocado a perda total das funções da proteína.

Os cientistas criaram seguidamente uma imagem em três dimensões da proteína como era há 450 milhões de anos, recorrendo a uma técnica de cristalografia por raios-X que permitiu localizar o lugar de cada um dos seus 2.000 átomos.

17/08/200711h46 Folha Online

Publicado em:  on Agosto 17, 2007 at 5:05 pm Deixe um comentário

Nasa decide não reparar fenda no escudo térmico do Endeavour

da France Presse, em Washington

A Nasa decidiu nesta quinta-feira não realizar o arriscado reparo de uma fissura no escudo térmico do ônibus espacial Endeavour, ao considerar que ela não representa um perigo para o retorno da nave à atmosfera.

A decisão foi adotada após três dias de exames aerodinâmicos e térmicos, além de longas análises da equipe encarregada de supervisionar a missão do Endeavour.

Os engenheiros da Nasa avaliaram as possíveis conseqüências da fissura de 8,75 por 5 centímetros no escudo térmico do ônibus espacial, que ocorreu quando a nave foi lançada.

A fissura, que afeta a estrutura de alumínio do escudo térmico, foi provocada pelo impacto de um pedaço de material isolante que se soltou do tanque de combustível externo 58 segundos após o lançamento, no dia 8 de agosto. O dano ocorreu após a nave ser atingida por um pedaço de gelo.

17/08/200704h51 Folha Online

Publicado em:  on at 5:04 pm Deixe um comentário

Biocombustível desviará água de produção de comida, diz estudo

da France Press, em Estocolmo

Os biocombustíveis, saudados por muitos como a solução verde para redução de emissão de gases e uma alternativa para combustíveis fósseis, pode não ser uma solução completa, dizem especialistas em uma conferência em Estocolmo durante esta semana.

Segundo o Instituto Internacional de Água de Estocolmo (SIWI), a quantidade de água adicional necessária para a produção de bioenergia será equivalente á quantidade necessária para o setor de agricultura para alimentar o mundo.

A produção dos biocombustíveis requer grande quantidade de água, um recurso que já está em estoque limitado em muitas partes do mundo. A bioenergia poderia desta forma desviar uma quantidade de água que é extremamente necessária para a produção de comida.

“Quando governos e empresas discutem soluções relacionadas a biocombustíveis, acho que a questão da água não está incluída na pauta o suficiente”, disse Johan Kuylenstierna, diretor da conferência World Water Week.

O evento anual reúne em sua edição 2007 cerca de 2.500 especialistas em água de todo o mundo.

Segundo Kuylenstierna, no futuro a produção de comida, o consumo de água e a produção de biocombustíveis vão aumentar. “Isso não deixa muita perspectiva para a água”, comenta.

“Biocombustíveis não são ‘a’ solução, mas uma das soluções”, disse Kuylenstierna.

16/08/200714h52 Folha Online

Publicado em:  on at 5:03 pm Deixe um comentário

HIV prejudica duplamente o cérebro, aponta estudo

da France Presse, em Washington

O vírus da Aids destrói não apenas as células cerebrais –ele também bloqueia os processos que permitem gerar novas unidades, revelou um estudo publicado nos Estados Unidos.

Uma proteína chamada gp120, que se encontra no vírus da Aids e destrói as células cerebrais, como foi demonstrado em estudos anteriores, também representa um obstáculo para a criação de novas células, indicam os autores do trabalho divulgado na revista “Cell Stem Cell” de agosto.

“A novidade é o fato de que o vírus da Aids impede que se dividam as células viróticas no cérebro”, explicou Stuart Lipton, do Instituto Burnham e da Universidade da Califórnia (oeste dos EUA), principal autor deste estudo realizado em ratos.

“É um golpe duplo para o cérebro”, afirmou Marcus Jaul, um dos co-autores do estudo. “Esta proteína pode provocar, ao mesmo tempo, a morte das células cerebrais e impedir a auto-recuperação”, acrescentou.

O estudo mostrou que a proteína gp120 é, claramente, lenta para a produção de novos neurônios no hipocampo, uma zona essencial para a memória e para a aprendizagem.

A medicina já havia detectado que a infecção por HIV pode arrastar as vítimas para graves estados de demência –a maioria das vezes em pessoas com formas avançadas da doença.

O sucesso dos anti-retrovirais para reduzir a carga viral até seus níveis mais baixos permitiu reduzir a severidade da demência nos últimos anos. A prevalência de casos de demência nas pessoas infectadas aumenta, porém, à medida que as pessoas envelhecem.

16/08/200711h32 Folha Online

Publicado em:  on at 5:02 pm Deixe um comentário

Impacto de usinas no rio Madeira é imprevisível, diz biólogo

da BBC Brasil

O cientista Mario Cohn-Haft, que recentemente liderou uma expedição que descobriu espécies diferentes de animais e plantas na região próxima ao rio Madeira, na Amazônia, disse que o impacto da construção de usinas no rio é “imprevisível”.

Em abril e julho deste ano, Mario Cohn-Haft, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), encontrou variedades diferentes de animais e plantas na região entre os rios Purus e Madeira.

No mês passado, o governo federal aprovou as licenças prévias para a construção de duas usinas no rio Madeira.

As usinas de Santo Antônio e Jirau –cujos editais estão em fase de elaboração– gerariam 6.500 megawatts, o equivalente a metade da potência de Itaipu, uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo em potência.

Cohn-Haft explica que a região onde foram encontradas novas espécies não será diretamente afetada, pois está fora da área que será inundada para a construção das barragens.

Mas o impacto indireto das barragens pode ser grande o suficiente para afetar a biodiversidade local.

“O impacto de barragens em um rio com teor sedimentar muito grande como o Madeira é imprevisível. Nós não temos precedentes para saber”, disse o biólogo à BBC Brasil.

“O rio Madeira é o quarto maior e um dos mais barrentos do mundo. Então, colocar barragem em um rio como esses e dizer que nós sabemos o que vai acontecer é muita ousadia.”

Cohn-Haft diz que até mesmo o rio Amazonas pode ser afetado pelas barragens.

“Se isso causar uma diminuição no teor sedimentar do rio, isso pode impactar a fertilidade e a produtividade da várzea todinha. Então se você faz isso no alto do rio Madeira, impacta o sistema biológico do resto do rio inteiro e o próprio rio Amazonas, ao qual o Madeira é o maior contribuinte de sedimentos.”

O cientista também afirma que a colonização e o aumento no número de habitantes na região também podem ter impacto no local.

“Uma vez que você tem grandes projetos que estão empregando gente, atraindo gente de outras partes do país, encorajando investimento, agricultura, agropecuária, rapidinho a área toda é colonizada, é desmatada, é convertida permanentemente.”

16/08/200710h42 Folha Online

Publicado em:  on at 5:01 pm Deixe um comentário

Arqueólogos acham pegada de sandália de romano em muro de Israel

da Efe, em Jerusalém

Arqueólogos que fazem escavações nas ruínas da antiga cidade greco-romana de Susita (Hippos), junto ao mar da Galiléia, descobriram uma misteriosa pegada de uma sandália com pregos de um legionário romano em um muro.

Não se sabe se a pegada seria de um soldado romano que teria participado da construção da muralha ou de alguém que tenha deixado de prestar serviço militar e conservado as sandálias para trabalhar como pedreiro, afirmou hoje o jornal israelense “Haaretz”, citando o chefe das escavações, Arthur Segal.

Antes da descoberta, a única descoberta arqueológica semelhante foi encontrada na Muralha de Adriano, no Reino Unido.

O mistério que cerca a pegada descoberta no muro de Susita, construído por volta do século 3 a.C. e destruído por um terremoto no ano de 749, reside no fato de os projetos de construção em Israel terem ficado a cargo de suas cidades –os conquistadores romanos não participavam dessas obras, informa o arqueólogo.

No ano passado, os arqueólogos descobriram uma inscrição feita por dois moradores de Susita que haviam completado o serviço militar. Isso levou os pesquisadores a cogitarem que este também poderia ser o caso da pessoa que deixou a pegada da sandália.

15/08/200712h51 Folha Online

Publicado em:  on at 5:00 pm Deixe um comentário

Expedição desbrava área quase inexplorada da Amazônia

GIOVANA GIRARDI
da Folha de S.Paulo, em Manaus

Duas expedições científicas neste ano à região entre os rios Purus e Madeira mostram que essa área de floresta, provavelmente a mais biodiversa de todas as divisões ecológicas da Amazônia, deve mesmo ser a detentora deste título.

Mario Cohn-Haft/Divulgação
Em folha de papel, inseto descoberto durante expedição
Em folha de papel, inseto descoberto durante expedição

O interflúvio (região entre rios) com cerca de 40 milhões de hectares, representa menos de 5% da floresta amazônica, mas em apenas duas viagens os cientistas encontraram pelo menos quatro novas espécies de aves, três de mamíferos e algumas dezenas de aracnídeos desconhecidos. O material, coletado entre abril e maio e, depois, em julho deste ano, mostra uma biodiversidade ameaçada por planos de ocupação.

Ainda predominantemente sem impacto, o interflúvio Purus-Madeira está na mira de projetos como a pavimentação da BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) e a criação de um gasoduto entre Urucu (AM) e Porto Velho –ambos os projetos cortam a área. Também ameaçam a região a construção de hidrelétricas no rio Madeira, a onda de extração madeireira em expansão no sudeste do Amazonas e o avanço da agroindústria, em especial da soja, e da pecuária.

Riqueza ameaçada

Mario Cohn-Haft/Divulgação
Opilião encontrado em expedição é uma possvel nova espécie, dizem pesquisadores
Opilião encontrado em expedição é uma possível nova espécie, dizem pesquisadores

“O cenário está armado para destruir uma área pequena, até então desconhecida e que imaginávamos ter um potencial absurdo de biodiversidade e endemismo [espécies únicas do lugar]“, conta o ornitólogo Mario Cohn-Haft, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), que liderou a expedição do projeto Geoma (Rede Temática de Pesquisa em Modelagem Ambiental da Amazônia).

As seis semanas em que o grupo ficou no mato driblando atoleiros mostram que há mesmo algo a perder. “Encontramos espécies que não somente nunca tinha sido observadas, como aparentemente só existem naquela região”, diz Cohn-Haft. Os animais coletados estão agora sendo analisados pelos biólogos para definir se realmente tratam-se de novas espécies. Após confirmação, as descobertas serão publicadas em revistas científicas.

Mario Cohn-Haft/Divulgação
Esperança, inseto considerado raro, é abundante na região recém-explorada
Esperança, inseto considerado raro, é abundante na região recém-explorada

Cohn-Haft já adianta, no entanto, que ao menos quatro das aves que ele observou são muito provavelmente espécies novas, sendo duas delas endêmicas. “Eu já tinha visto essas aves em expedições anteriores, mas só agora encontrei vários exemplares. É uma série grande o suficiente para poder descrever.”

A importância dos achados aumenta quando se leva em conta que as aves são o grupo mais bem conhecido pelos biólogos. A descoberta de tantas novidades, segundo o pesquisador, funciona como um termômetro da diversidade da região. E, mesmo assim, Cohn-Haft acredita que em alguns anos vai dobrar o número de espécies descritas na Amazônia.

Entre os mamíferos, os primatólogos acreditam ter avistado ao menos uma espécie nova de macaco. Foi coletado ainda um sagüi que provavelmente é uma nova subespécie e um primata visto como uma “redescoberta” da ciência.

Divulgação
O biólogo Mario Cohn-Haft segura ave de uma espécie nova
O biólogo Mario Cohn-Haft segura ave de uma espécie nova

Trata-se de um animal que já havia sido descrito na literatura, mas que nunca mais tinha sido visto. “Ele ficou meio desacreditado, supunha-se que podia ser apenas um indivíduo extraordinário, mas agora achamos uma população inteira dele”, conta o pesquisador.

Ainda entre os mamíferos, os biólogos apostam num esquilo e numa gatiara (mamífero noturno) como novas espécies.

O grupo animal que deve trazer mais novidades, no entanto, é o dos aracnídeos e opiliões (aranhas de longas pernas). Eles ainda são tão pouco conhecidos que a expectativa é que 95% dos animais encontrados sejam novas espécies.

A presença de animais tão diferentes em um espaço relativamente tão pequeno é explicada porque a região engloba também tipos de ambiente muito diferentes. Na mesma área há tanto floresta típica, quanto várzeas inundáveis, pequenas serras, bambuzais e campos. “Tudo isso num interfluviozinho ameaçado por tudo quanto é projeto de desenvolvimento”, diz Cohn-Haft.

15/08/200710h34 Folha Online

Publicado em:  on at 4:56 pm Deixe um comentário

Tumbas do período de Ramsés 2º são descobertas no Egito

da France Presse, no Cairo

Um grupo de arqueólogos egípcios descobriu em Sakkara (sudoeste de Cairo) tumbas da época do faraó Ramsés 2º, que conteriam um sarcófago e fragmentos de uma múmia, informou o CSAE (Conselho Superior de Antigüidades Egípcias).

O grupo da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo descobriu uma grande quantidade de sepulturas em fossas que datam da época de Ramsés 2º, que reinou entre 1279 e 1212 a.C., declarou o presidente do CSAE, Zahi Hawwas.

“O sarcófago talhado em pedra foi encontrado em uma fossa a 12 metros de profundidade”, afirmou o chefe da missão, Ola al Egueizi.

“Ela pertencia a Sekhmet Nefret, da 27ª dinastia (525-405 a.C.), mãe do sacerdote do culto de Mykerinos, rei da quinta dinastia (2494 a.C.) e fundador da terceira pirâmide de Gizeh”, precisou Hawwas.

Culto

“O fato de seu filho ter sido chamado de ’sacerdote de Mykerinos’, apesar da diferença de cerca de 2.000 anos entre a época de Sekhmet Nefret e o reino de Mykerinos, significa que os egípcios continuaram professando um culto ao rei muito depois de sua morte’” adicionou Hawwas.

A fossa mede 2 metros de comprimento por 1,5 metro de largura e possui várias cavidades, com profundidade que variam de sete a 30 metros.

“As sepulturas indicam que a tumba construída durante a 19ª dinastia também foi utilizada em épocas seguintes”, declarou Egueizi.

A parte inferior de uma múmia foi encontrada em uma das aberturas cavadas na rocha e destinada a colocar as múmias, disse o chefe da equipe de trabalho no terreno, Ahmed Said.

15/08/200709h16 Folha Online

Publicado em:  on at 4:54 pm Deixe um comentário