Novo estudo afasta risco de que batata frita cause câncer

GIOVANA GIRARDI
Colaboração para a Folha de S.Paulo

As suspeitas de que a acrilamida –composto encontrado em alguns alimentos fritos e assados, como batata e pão– pode causar câncer sofreram novo revés ontem. Um grupo de pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard apresentou estudo mostrando que não há associação entre dieta rica em acrilamida e o desenvolvimento de câncer de mama.

É a segunda vez que a equipe aponta dados nesse sentido. No começo do ano passado, os pesquisadores sugeriram que não havia relação com cânceres de cólon, bexiga e rim. Agora foram investigadas 43 mil mulheres suecas e 100 mil americanas e o resultado foi similar. A pesquisa foi apresentada ontem por Lorelei Mucci no encontro anual da Sociedade Americana de Química.

“Os dados acumulados sugerem que o nível de acrilamida ao qual as mulheres em geral estão expostas em sua dieta não é um importante fator de risco ao câncer de mama”, disse Mucci à Folha. Ela também mostrou no encontro alguns dados preliminares sugerindo que a substância parece não ter impacto no câncer de próstata.

Em 2002, pesquisas com animais alertaram para os riscos carcinogênicos da substância e levaram a OMS (Organização Mundial de Saúde) a expressar preocupação sobre seu uso. Estudos com humanos, no entanto, ainda não comprovaram o perigo. Mesmo assim, Mucci afirma que são necessárias pesquisas com outros tumores para afastar de vez o risco. “Humanos podem ainda ser suscetíveis à acrilamida, mas o que estamos dizendo é que os níveis apresentados na nossa dieta não parecem ser um fator de risco importante”, diz Mucci.

22/08/200710h31 Folha Online

Publicado em:  on Agosto 23, 2007 at 11:38 am Deixe um comentário

Estudo põe em dúvida relação entre investimento e cura do câncer

da France Presse, em Paris

O número de pacientes que superam o câncer está aumentando na Europa, numa cifra mais significativa nos países do Leste –onde, paradoxalmente, o investimento em saúde é menor, segundo um estudo da revista britânica “The Lancet” publicado nesta terça-feira.

O estudo, realizado com dados recolhidos de 1991 a 2002, constata um claro aumento tanto da taxa de sobrevivência como também do investimento de recursos, mas surpreende pela pouca relação entre ambos em locais como o Reino Unido.

Com base nesses dados, um editorial da publicação pede uma “revisão fundamental das políticas públicas”, em particular do caso britânico, com níveis comparáveis a países do leste europeu, onde se dedica menos dinheiro na luta contra o câncer e os resultados são melhores.

A pesquisa, realizada em 23 países –a maior desse tipo já realizada– se centrou nos cânceres mais freqüentes: cólon e reto, pulmão, mama, ovário e próstata.

Os dados demonstram que os doentes que têm mais possibilidades de sobreviver vivem no norte e no centro da Europa, depois vêm os do sul, um pouco menos no Reino Unido, e finalmente, os do leste europeu.

No entanto, esses últimos países reduzem as diferenças em um grande ritmo. No período estudado, a porcentagem de população que superou um câncer de próstata no leste da Europa passou de 39,5% a 68%.

“The Lancet” também coloca em evidência que os dados dos Estados Unidos são ainda mais significativos, com a sobrevivência de 66,3% dos homens e 62,9% das mulheres diagnosticadas com um tumor entre 2000 e 2002, frente aos 47,3% e 55,8%, respectivamente, entre os europeus.

Por isso, a revista pede um “plano pan-europeu contra o câncer” e insiste na necessidade de trabalhar por um diagnóstico precoce.

21/08/200711h35 Folha Online

Publicado em:  on at 11:28 am Deixe um comentário