HIV prejudica duplamente o cérebro, aponta estudo

da France Presse, em Washington

O vírus da Aids destrói não apenas as células cerebrais –ele também bloqueia os processos que permitem gerar novas unidades, revelou um estudo publicado nos Estados Unidos.

Uma proteína chamada gp120, que se encontra no vírus da Aids e destrói as células cerebrais, como foi demonstrado em estudos anteriores, também representa um obstáculo para a criação de novas células, indicam os autores do trabalho divulgado na revista “Cell Stem Cell” de agosto.

“A novidade é o fato de que o vírus da Aids impede que se dividam as células viróticas no cérebro”, explicou Stuart Lipton, do Instituto Burnham e da Universidade da Califórnia (oeste dos EUA), principal autor deste estudo realizado em ratos.

“É um golpe duplo para o cérebro”, afirmou Marcus Jaul, um dos co-autores do estudo. “Esta proteína pode provocar, ao mesmo tempo, a morte das células cerebrais e impedir a auto-recuperação”, acrescentou.

O estudo mostrou que a proteína gp120 é, claramente, lenta para a produção de novos neurônios no hipocampo, uma zona essencial para a memória e para a aprendizagem.

A medicina já havia detectado que a infecção por HIV pode arrastar as vítimas para graves estados de demência –a maioria das vezes em pessoas com formas avançadas da doença.

O sucesso dos anti-retrovirais para reduzir a carga viral até seus níveis mais baixos permitiu reduzir a severidade da demência nos últimos anos. A prevalência de casos de demência nas pessoas infectadas aumenta, porém, à medida que as pessoas envelhecem.

16/08/200711h32 Folha Online

Publicado em:  on Agosto 17, 2007 at 5:02 pm Deixe um comentário

Faculdade de Medicina da USP terá simulador para treino de cirurgia

CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo

A Faculdade de Medicina da USP ganha amanhã um centro de ensino e pesquisa em cirurgia onde os estudantes poderão treinar procedimentos minimamente invasivos (laparoscopia) em simuladores cirúrgicos.

Até hoje, o aprendizado desse tipo de cirurgia acontece diretamente nos pacientes, sob supervisão de um professor.

É a primeira faculdade de medicina do Brasil a contar com um centro dessa natureza. Ao menos 30 trabalhos científicos atestam que o médico ganha habilidades cirúrgicas mais rapidamente quando treinado em simuladores.

O centro, avaliado em R$ 1,6 milhão, possui equipamentos de última geração e foi construído graças a um grupo de beneméritos, como o banqueiro Joseph Safra. O idealizador do projeto é o médico Miguel Srougi, professor titular de urologia da faculdade.

Segundo Srougi, diferentemente da cirurgia aberta (convencional), que pode ser feita com segurança por um residente assistido pelo tutor, as cirurgias minimamente invasivas (feitas por meio de pequenos furos no abdome) demandam um aprendizado maior e são mais sujeitas a complicações.

“Eu nunca deixaria um indivíduo me fazer uma cirurgia laparoscópica de vesícula, por exemplo, se ele não tivesse mais do que 50, 60 casos operados. Nessa fase inicial [do aprendizado], podem acontecer complicações sérias, como perfuração de intestino e sangramentos graves”, explica.

Com o centro, a idéia é qualificar melhor e com mais rapidez as novas gerações de cirurgiões da Faculdade de Medicina da USP, que forma, anualmente, ao menos 200 novos profissionais nessa área.

“O residente estará mais bem qualificado para operar. Hoje, eles aprendem direto nos doentes, desde o primeiro caso. Agora, vão treinar nos simuladores e em porcos”, diz Srougi.

O centro terá dois simuladores cirúrgicos, com os mesmos princípios dos simuladores de vôos usados no treinamento de pilotos de avião. São aparelhos dotados de pinças –iguais às utilizadas em uma cirurgia laparoscópica– e um monitor com a exata reprodução do corpo humano.

“Esse simulador é muito preciso. Se você corta alguma coisa errada, ele avisa que você cometeu um erro e tira pontos. Se demorar mais tempo na cirurgia, também tira pontos. No final do procedimento, você recebe uma nota. O sujeito adquire grande habilidade manual de mexer com os instrumentos.”

O centro conta com quatro ambientes cirúrgicos –dois deles destinados às cirurgias urológicas e os outros dois para cirurgia geral– que terão aparelhos laparoscópicos, microscópico cirúrgico, mesas ergonômicas e uma sofisticada rede de transmissão de dados e imagens, além de uma sala de telemedicina.

12/08/200708h48 Folha Online

Publicado em:  on Agosto 13, 2007 at 11:19 am Deixe um comentário