da France Presse, em Washington
O vírus da Aids destrói não apenas as células cerebrais –ele também bloqueia os processos que permitem gerar novas unidades, revelou um estudo publicado nos Estados Unidos.
Uma proteína chamada gp120, que se encontra no vírus da Aids e destrói as células cerebrais, como foi demonstrado em estudos anteriores, também representa um obstáculo para a criação de novas células, indicam os autores do trabalho divulgado na revista “Cell Stem Cell” de agosto.
“A novidade é o fato de que o vírus da Aids impede que se dividam as células viróticas no cérebro”, explicou Stuart Lipton, do Instituto Burnham e da Universidade da Califórnia (oeste dos EUA), principal autor deste estudo realizado em ratos.
“É um golpe duplo para o cérebro”, afirmou Marcus Jaul, um dos co-autores do estudo. “Esta proteína pode provocar, ao mesmo tempo, a morte das células cerebrais e impedir a auto-recuperação”, acrescentou.
O estudo mostrou que a proteína gp120 é, claramente, lenta para a produção de novos neurônios no hipocampo, uma zona essencial para a memória e para a aprendizagem.
A medicina já havia detectado que a infecção por HIV pode arrastar as vítimas para graves estados de demência –a maioria das vezes em pessoas com formas avançadas da doença.
O sucesso dos anti-retrovirais para reduzir a carga viral até seus níveis mais baixos permitiu reduzir a severidade da demência nos últimos anos. A prevalência de casos de demência nas pessoas infectadas aumenta, porém, à medida que as pessoas envelhecem.
16/08/2007 – 11h32 Folha Online